» » » Colocar na escola e assegurar o aprendizado são desafios para próximos governantes



O Brasil tem 7,2 milhões de crianças e adolescentes com dois ou mais anos de atraso escolar, dos quais 388 mil vivem em Pernambuco. Outros 2,8 milhões de brasileiros com idades entre 4 e 17 anos não estavam sequer na escola em 2015, sendo 297.458 no Estado. Garantir o acesso à educação, direito declarado na Constituição Federal, e promover o real aprendizado dos pequenos cidadãos que frequentam os bancos escolares são dois importantes desafios para os próximos governantes.
“Fora da escola não pode. Mas dentro da escola, sem aprender, também não pode. É preciso assegurar a matrícula e qualificar a permanência do estudante. Os dados mostram a urgência com a qual esses problemas precisam ser enfrentados. É uma pauta para hoje. As crianças e adolescentes brasileiros estão com seus direitos sendo violados”, observa a oficial de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Verônica Bezerra.
Levantamento da entidade revela que 16,9% dos alunos pernambucanos dos anos iniciais do ensino fundamental (1ª a 5ª série) estão pelo menos dois anos atrasados. Nos anos finais (6ª a 9ª série), o índice aumenta para 29,9%, enquanto no ensino médio chega a 27%. “A escola precisa ser atraente, fazer sentido para o estudante, para as famílias, para quem está no dia a dia dela”, argumenta Verônica. “A discussão do currículo é central nessa transformação da escola.”
O Brasil já tem definida a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada no fim do ano passado pelo Ministério da Educação (MEC), para a educação infantil e o ensino fundamental. O texto do ensino médio está em análise no Conselho Nacional de Educação.
Aluno do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Caio Oliveira, 17 anos, fazia parte do universo de jovens atrasados na escola. “Fui negligente e desinteressado. Não via o estudo como algo capaz de me proporcionar um futuro promissor. Por isso repeti dois anos. Até que mudei de escola e decidi frequentar o Programa Travessia. Consegui recuperar o tempo perdido e terminei a segunda etapa do ensino fundamental em 1 ano e 8 meses”, conta o adolescente, hoje no 4º período do curso técnico de eletrotécnica, realizado paralelamente ao ensino médio.
Na Escola Municipal Engenho do Meio, no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste do Recife, o empenho para que todos os alunos aprendam é coletivo. A unidade tem 600 alunos, dos quais 150 possuem algum tipo de deficiência. Há quatro anos foi criado o Projeto de Intervenção dos Processos de Aprendizagem (Pipa).
“Fazemos um diagnóstico de cada aluno do 3º ano, série em que o processo de alfabetização deve ser concluído. Eles são separados em três níveis de aprendizagem, identificados nas cores vermelha, azul e verde. Uma vez por semana os alunos são distribuídos nessas turmas. As atividades são diferentes, mas partem do mesmo material”, explica a gestora, Bianca Magliano. Numa alusão à pipa, o objetivo é que cada criança avance nas três cores, conquistando o quadrado amarelo, formando, assim, o brinquedo. “É quando ela conseguirá voar”, compara Bianca.
A inclusão, pauta defendida pelo Unicef, é destaque no colégio. “Meu filho acorda alegre só porque vai para escola. Está aprendendo, é acolhido pelos professores e colegas de turma. O projeto Pipa só fez somar. Ajuda todos que têm dificuldade”, conta Magda Moura, 35, mãe de Gustavo Silva, 8, que tem deficiência auditiva.

INTEGRAÇÃO
Análise da Secretaria de Planejamento do Estado, com base no número de homicídios ocorridos entre 2001 e 2015, constatou que quanto mais tempo na escola, menor é o risco de o jovem ser assassinado.
“Estima-se que cada 1% de aumento na matrícula líquida (percentual de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio) evitaria 50 homicídios, então a escola funciona como fator de proteção”, destaca o assessor técnico da Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão, Hugo Medeiros. “As políticas de educação devem ser associadas a outras áreas, como saúde e assistência social”, observa Verônica.
No Recife, a prefeitura elegeu a primeira infância (0 a 6 anos) prioridade na gestão. Tanto que criou o Marco Legal da Primeira Infância, documento com 14 eixos que reúne mais de 200 políticas, programas e projetos para as crianças. “Está em discussão o Plano Municipal da Primeira Infância. Nossa expectativa é terminá-lo ainda este ano”, informa o secretário municipal de Planejamento, Administração e Gestão de Pessoas, Jorge Vieira.
Crianças e adolescentes esperam que quem assumir o Estado e o País, a partir de 2019, transforme promessas em ações. Para o bem delas e da Nação.

Foto: Guga Matos / JC Imagem
Por Margarida Azevedo


Postador Paulo Pinto

Aqui você coloca uma descrição do postador exemplo. Oi lá! eu sou um verdadeiro entusiasta Na minha vida pessoal eu gastar tempo com a fotografia, escalada, mergulho e passeios de bicicleta da sujeira.
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